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EM
APOIO À AÇAO CONTRA O BANCO MUNDIAL/FMI, CONTRA A HEGEMONIA
DO CAPITAL E POR UM MUNDO NOVO E SAUDÁVEL
As Organizações
Populares de toda a Índia realizaram em 5 de junho no Dia
Mundial do Ambientalismo um
encontro contra as práticas e infames atrocidades
levadas a efeito pela política de companhias multinacionais como
UNOCAL e NATELCO onde em 7
de abril a polícia agrediu e aterrorizou homens e mulheres
e em 20 de abril provocou a morte de um manifestante. Esta
foi mais uma das vítimas da chamada globalização.
Através das companhias
multinacionais e de seus controvertidos projetos, tais
corporações se espalham por toda a Índia destruindo
a natureza e suprimindo
os direitos das pessoas. Todos nós nos opomos a tudo isso. Este
incidente mostra a gravidade
e a complexidade dessas novas investidas capitalistas.
Em 5 de junho em toda a nação se levantaram protestos
em
oposição a um
controvertido projeto de construção de um porto. Em 12
de junho, centenas
de pescadores se dirigiram a Nova Delhi para reclamarem seu direito
de pescar livremente
através do país e para se opor à ingerencia multinacional
nas costas e mares da Índia.
Coisas como estas fazem com
que levantemos ainda mais alto nosso brado de resistencia
ao capitalismo e à injustiça nacional ou internacional,
resistimos à desigualdade
e à destruição em nome do "desenvolvimento". Nós,
dos movimentos populares da
Índia reiteramos nossa solidariedade ao movimento
global que se opõe a organismos e agencias multilaterais como
o
Banco Mundial, o Fundo Monetário
Internacional e a Organização Mundial do Comércio.
Expressamos nosso total apoio às ações contra estas
agencias e manifestamos
nossa solidariedade às ações que terão lugar
em Praga. Declaramos
nossa oposição às políticas e projetos do
poder capitalista e do estado.
Esta políticas não representam o que o povo deseja para
seu país. A
Aliança Nacional dos Movimentos Populares protesta contra o processo
de
Globalização
que está sendo imposto sobre o povo, sobre nosso país
e sobre todos os países
do terceiro mundo pelo poder da elite em coalizão com os
gigantes corporativos e agencias
multinacionais.
Declaramos que todos esses
gigantes corporativos e agencias multinacionais passarão
a enfrentar uma total resistencia na India e em todos os países
do Sul Asiático,
por suprimirem os direitos das pessoas, roubar seus recursos e
destruir a liberdade de suas
organizações.
Por mais de uma década,
o povo da Índia está sofrendo com os efeitos do
crescimento descomunal destas
forças. A supremacia do capital tem marginalizado
os recursos humanos e os recursos naturais. Onde tudo e todos
são forçados
a se submeter ao poder do dinheiro. Os movimentos populares na
Índia resistem e continuarão
resistindo aos processos economicos e políticos de
centralização, burocratização e corrupção
deste regime.
A
"Nova Política Economica" não é mais que uma poderosa
extensão das políticas
já existentes. Uma nova imagem de desenvolvimento, uma realidade
virtual tem sido criada através
da chamada informação tecnólogica, da indústria
do entretenimento, do apelo consumista e da economia de exporta/importação,
que se constitui no carro chefe do "progresso" e da economia
real. Tudo isso não tem resultado em outra coisa a não
ser a marginalização
de uma quantidade cada vez maior de seres humanos. Uma política
que coloca em segundo plano os assuntos e preocupações
reais das pessoas comuns
do povo - assuntos como qualidade de vida, sustentabilidade,
terra, agua, agricultura,
florestas. Temas com liberdade e igualdade,
injustiça e exploração
são completamente esquecidos.
Com a globalização
coisas como, Pepsi, Coca e agua "pura" engarrafada tornam-se
prioridade ao mesmo tempo em que o estado abandona sua responsabilidade
em prover agua pura nos lugares públicos, nos bairros e nas
aldeias. A terra e as florestas
estão sendo sendo vendidas para estarem ao serviço
de interesses privados e prossegue o plano de privatizar as bacias
hidrográficas e os
serviços de abastecimento. As mega multinacionais estão
destruindo regiões
inteiras juntamente com toda sua ecologia marinha, locais que
sempre foram utilizados e preservados pelas comunidades pesqueiras.
Os dejetos das fábricas
destróem a terra, as florestas, e criam níveis de
poluíção
estarrecedores. Todas as leis ambientais estão sendo violadas
e suprimidas através
da propina e da corrupção. Bens
públicos como rodovias, eletricidade, suprimento de agua estão
passando para as mãos
de conglomerados privados. O que ainda não está nas
mãos desses conglomerados
permanece nas mãos de burocracas ineficientes e corruptos
que usam os bens públicos em proveito próprio. Em toda
parte
fala-se da privatização
como uma panacéia para a cura de todos os males, contudo
esses burocracas ineficientes e corruptos a cada dia que passa
tornam-se ainda mais irresponsaveis
direcionando elevados subsídios em dinheiro
publico em benefício dos monopólios da terra, da água
e do sistema financeiro.
As multinacionais e os capitalistas
nacionais investem em setores como a geração
de energia e extração de petróleo, sob a garantia
e facilidades proporcionadas
pelo estado. As corporações públicas continuam
sendo saqueadas.
Queremos os bens públicos
administrados com eficientcia e responsabilidade. O
crescimento incomensurável das corporações está
provocando um efeito catastrófico
no meio ambiente e um impacto mortal na sociedade. As regiões
costeiras, alagados, bacias
hidrográficas e florestas estão sendo expostas à
toda sorte de degradação,
pela extração e continua destruição dos
recursos naturais deste
pais. O Ministério do Meio Ambiente tem se subordinado aos
Ministérios da Energia,
da Indústria e dos Recursos Hidricos. As companhias privadas
e multinacionais se constituem nos maiores violadoes nas normas
ambientais e permanecem em
total impunidade.
Departamentos reguladores
como o Departamento de Controle da Poluição no
estado tem-se enfraquecido.
Dejetos quimicos de centenas de industriais estão
destruindo rios e toda a costa em regiões como Konkan e Gujarat.
Eles tem despejam o
lixo industrial e subprodutos indesejaveis dos países
desenvolvidos nestas regiões.
E sob a égide do desenvolvimento destroem os recursos
naturais e a própria vida das pessoas.
Os camponeses da Índia
estão sendo prejudicados pela importação de produtos
como açucar e o oleo.
A agricultura local está perdendo espaço. Ao contrário
do que ocorre com os agricultores nos USA ou Europa, os agricultores
da Índia pouco a pouco estão deixando de receber ajuda
do estado. O regime
da OMC pretende um futuro corte nas ajudas que o estado dá
como uma forma de facilitar
as importações de seus produtos agricolas. Este
tem sido um duplo ataque à
agricultura na India.
Parece que as agencias estão
tentando encontrar outras formas de atuação, uma
vez que falharam em se reunir no conclave de Seattle na reunião
da OMC em novembro
de 1999. Agora, passaram a investir contra nosso alimento, nossas
terras estão sendo corporativizadas e usadas para a produção
que produtos para exportação,
que por sua vez, serão industrializados para serem revendidos
nos centros urbanos dos paises estrangeiros. A segurança
alimentar e a biodiversidade
do pais foi depreciada pelo regime de patentes e
pelas corporações de agrobusines, que tentam usurpar os
direitos sobre a indústria
farmaceutica se apossando de conhecimentos que sempre foram de
propriedade dos povos.
Nós não abriremos
mão dos direitos dos trabalhadores e da proteção
ambiental; mas não
temos nenhuma ilusão de que preocupações hipotéticas
e críticas relacionadas
a esses assuntos por parte de países desenvolvidos resultem
em trabalho e preservação ambiental, tudo que esses países
desenvolvidos pretendem é
proteger seus interesses comerciais. A onda de
"globalização"
da OMC vê o "desenvolvimento" na usurpação de recursos
como a terra, água
e bacias hidrograficas das mãos dos povos deste país tem
resultado em uma constante
queda nas oportunidades de trabalho, causando retração
e empobrecimento em granda escala.
O estado apresenta suas prioridades
como coisas boas que protegem os interesses
das pessoas comuns do povo, mas que na verdade não fazem outra
coisa a não ser salvaguardar
os interesses do poder capitalista. O governo retira
a terra e os recursos naturais das mãos das pessoas e das comunidades
e em nome de um "interesse
público" entrega tudo nas mãos das grandes companhias.
Foi o que aconteceu no caso do projeto do Enron Power em Maharashtra,
Maheshwar e em Madhya Pradesh, a polícia e recursos administrativos
foram usados para proteger os interesses das companhias privadas,
reprimindo os protestos populares contra estas companhias. As
leis e o governo deste país estão sendo mudados para deixar
o campo livre para
a ação do capital. Acordos e investimentos multilarais
trornaram-se uma realidade,
o governo da Índia continua alterando leis trabalhistas,
agricolas, da propriedade
da terra, ambientais e de patentes ao bel prazer dos
tubarões internacionais e nacionais. Existe um movimento de mudança
dos processos de compra
da terra com uma correspondente mudança nas leis de desapropriação
e uso com o propósito de tornar a terra mais facilmente
disponivel para as companhias
nestes dias de globalização.
A OMC e o "livre comércio"
estão se apossando de um poder que antes estavam nas
mãos de instituições locais e nacionais. Decisões
são tomadas sem que a sociedade
ou as organizações populares no país sejam sequer
informadas, e muito
menos consultadas. Leis são mudadas e os direitos das pessoas
estão sendo
suprimidos. O Parlamento, os legislativos tornaram-se corporações
inóquas, que funcionam
a toque do ouro, permeada de burocratas comprometidos com
seus interesses pessoais pelo poder, embora sejam apresentados como
experts em suas áreas
de atuação.
As corporações
de "busines" da comunidade nacional e internacional tem livre
acesso aos corredores do poder
formando uma casta de consultores e conselheiros
ligados aos ministros da industria e das finanças; enquanto que
nenhuma só pessoa dos
movimentos ou organizações populares são seriamente
consultadas em assuntos básicos
de economia e política. Isto tem provocado uma
seria erosão nos direitos dos setores marginalizados da população,
esta é a política
real que esta sendo apllicada neste pais. Os movimentos
populares, particularmente
aqueles que se opõem à agenda da globalização,
estão sendo gradualmente
perseguidos e erradicados em toda parte do país. Está
claro para todos nós que a atual politica do governo na Índia
e de seus burocratas,
juntamente com seus capachos nas grandes empresas e meios de
comunicação
não representam as prioridades, preocupações, opinões
de bilhões de
indianos.
Suas decisões, políticas
e projetos são visceralmente opostos aos interesses do
povo e o povo da Índia resistirá a isso com unhas e dentes.
Deixamos claro ao governo
da India, a todos os grandes empresários, aos conglomerados
multiraterais e as agencias
financeiras multilarerais que a usurpação dos direitos
e recursos do povo resultará em uma ferrenha resistencia.
Alternativas para parar a
presente mania de "desenvolvimento" tem emergido dos
esforços de numerosos grupos em todas as regiões do pais
- para criar um descentralizado,
sustentável, igualitário, pacífico e não-violento
mundo. Contudo, nós
concordamos que todos nos oporemos a este presente processo de
destruição,
ao mesmo tempo em que salvaguardaremos, encorajaremos e implementaremos
alternativas sadias e saneadoras.
Lutaremos por uma Nova Ordem
Economica, política e ecológica, baseada na igualdade,
na justiça e numa democrática tomada de decisão.
Consideramos que a
oposição à hegemomia do poder capitalista é
a precondição para a sanidade de
um novo mundo. Expressamos nossa solidariedade com as organizações
populares de todo o mundo
que se opõem a essa hegemonia e já estão
trabalhando no sentido de
propor e criar um mundo humano e sustentavel.
A Aliança Nacional
dos Movimentos Populares (NAPM) se posiciona contra a globalização,
contra a privatização e contra o liberalismo. Se posiciona
pela libertação
das amarras do capitalismo. Na recente 3a. Convenção
Nacional da Aliança
de Chhota Badada, na região de Narmada, cerca de 350 delegados
de setenta organizações oriúndas de toda a Índia,
decidiram
extender sua solidariedade
à ação de 16 de abril em Washington. O encontro
da Executiva Nacional reunida
em maio em Jaipur, declarou seu apoio ao 26s - a
Ação que terá lugar em Praga de 26 a 28 de setembro.
As organizações
da India lembraram o martirio do sindicalista Shankar Guha Niyogi
da Chhattisgarh Mukti Morcha, que foi assassinado a mando de
empresários industriais.
Ele e sua organização tinham iniciado uma novo modo
de sindicalismo, que combinava
cuidados com a saúde e a educação com uma
campanha de conscientização
entre os trabalhadores.
Em 28 de setembro de 1999,
cerca de 300 organizaçõs de toda a Índia se
encontraram em Harsud, e no
vale de Narmada, para declarar oposição ao atual
modelo de destruição
insustentada e de desenvolvimento injusto. As Ações
programadas para Praga conjuminam-se
a esses eventos e as organizações na india
ligam suas ações locais com os olhos voltados para as
Ações em Praga. Queremos
os recursos do governo nas mãos das comundidades. Queremos
igualdade. Queremos liberdade.
Queremos o fim da exploração. Queremos uma
existencia sustentada e criativa
do ser humano e da natureza.
Em Solidariedade,
ALIANÇA NACIONAL DOS
MOVIMENTOS POPULARES
E TODOS OS ALIADOS DOS MOVIMENTOS
POPULARES DA ÍNDIA
Contato:
Thomas Kocherry - National
Coordinator (nff@md2.vsnl.net.in)
Sanjay Mangala Gopal- National
Co-coordinator
(admin@sanjay.ilbom.ernet.in)
Medha Patkar - National Convenor
(medhapatkar@vsnl.com)
Vimal- National Convenor (napmdel@ndf.vsnl.net.in)
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